8 de dez de 2012

Persépolis (Persepolis, 2007)

   Posso não ser uma grande fã de filmes de animação, mas tem filmes que cativam a gente de uma forma tão bela e inteligente, como acontece com a animação francesa Persépolis.
   Eu sou fanática por cinema francês, mas confesso que nunca tinha assistido a nenhum filme francês de animação, é um gênero difícil para mim, pois a maioria dos filmes de animação que eu assisti foram superficiais e nada inteligentes, filmes que não acrescentam absolutamente nada em nossa vida. Persépolis está bem longe desse tipo de estereótipo.
   Na animação somos apresentados à vida de Marjane, uma garotinha idealista, que depois de ouvir algumas histórias de parentes e conhecidos cria um grande desejo revolucionário. Conforme vai conhecendo as opressões de seu país, Marjane tenta ir contra o bruto regime islâmico, então seus pais a mandam para outro lugar com medo da filha ser presa no futuro. Já que o Irã está em guerra com esse país, Marjane é recusada por todos. A animação também mostra grande parte da vida de Marjane, além da revolução, mostra a mudança de pensamentos de Marjane até sua idade adulta, conforme ela vai crescendo também aprende o valor da família, vícios do amor e casamento. 
   Algo que me fez amar esse filme foi o tema, eu sou suspeita a falar, amo produções sobre guerras e revoluções. Persépolis vai muito além de ser uma animação bonitinha e divertida, é uma animação inteligente de verdade, uma verdadeira aula de história.
   Falando em história, não posso esquecer as referências à cultura popular da época. Eu juro que não sabia que nessa época as mulheres eram proibidas de escutarem um bom rock e de gostarem de Michael Jackson, todas essas proibições são mostradas com muito humor.
   Marjane é a prova de um amadurecimento contado com um pouco de tristeza, no início nós vemos uma Marjane tão idealista e no final ela já desistiu de suas ideias revolucionárias. Não é muito bom esse tipo de coisa, mas é o que acontece na realidade. Muitas coisas que não podemos mudar, somos obrigados a aceitar. A maior lição que o filme nos ensina é para que não nos esquecermos de quem somos, prova disso são as cenas em que Marjane diz que é francesa para evitar a rejeição, mas no final do filme, ela reconhece com toda sua convicção que veio do Irã, ela aceitou suas origens, não esquecendo de quem é e nem de onde veio.
   A animação é muito bem-feita, eu gosto muito quando colocam lembranças em preto e branco, nesse filme deu aquele tom mais culto, mas ao mesmo tempo muito simples e bonito. O desenho também é lindo, destaque para o mar e para as nuvens, achei os traços lindos, não só das cenas de mar e nuvens, mas os desenhos das pessoas também foram lindos, delicados e ao mesmo tempo selvagens, expressivos. 
   A família de Marjane também é importante na história, principalmente a avó, que é um exemplo de mulher sábia e guerreira. Tocante o senso de família que temos nesse filme, uma verdadeira família, onde uns se preocupam com os outros, tentando mantê-los salvos, mesmo que chegue a doer.
   Nós podemos também nos extasiar de revolta com esse filme, não entendo como um filme dessa categoria perdeu como Melhor Animação no Óscar para um filme tão infantil e superficial como Ratatouille, onde está o senso crítico desses críticos? Persépolis é mais uma prova de que o Óscar é uma premiação injusta, que só dá devido valor a filmes americanos famosos e não tão merecedores assim.
   Enfim, eu vou recomendar antes de começar um falatório sobre o quanto o Academy Awards é injusto, eu falo isso em quase todas as minhas postagens, não é novidade por aqui.
   Eu recomendo Persépolis para qualquer pessoa, mas recomendo com uma condição para cada um que for assistir, eu peço que assistam no áudio original, francês. Eu realmente adorei a dublagem original, principalmente a voz da Marjane criança, os dubladores arrasaram!

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