16 de jan de 2013

Lady Snowblood de Toshiya Fujita & Kill Bill Vol. 1 e Kill Bill Vol. 2 de Quentin Tarantino


   Segunda postagem composta do blog e ao mesmo tema vingança que nossa primeira postagem composta, Trilogia Vingança de Chan Wook Park. Sim, eu sou apaixonada por filmes sobre vingança, confesso. Mas hoje não estamos aqui para falar da vingança de Chan Wook Park e sim da vingança de Quentin Tarantino e sua noiva assassina samurai e Toshiya Fujita com sua criança do submundo.

Lady Snowblood de Toshiya Fujita
   Antes de falar dessa obra de Tarantino eu preciso começar falando do filme Lady Snowblood do diretor Toshiya Fujita, que foi uma das maiores inspirações para a realização do filme Kill Bill.
   Lady Snowblood é um filme japonês baseado em um mangá chamado Shurayukihime. O filme conta a estória de Yuki, uma mulher que procura vingança pela morte de sua mãe. 
   Eu assisti a esse filme ontem à noite e ontem à noite eu ainda não tinha assistido Kill Bill propositalmente. Eu estava com medo de que Kill Bill influenciasse a minha opinião sobre Lady Snowblood. 
   Lady Snowblood foi um filme que no início me deu sono, mas não porque era um filme chato, eu que estava com sono e os primeiros dez minutos do filme só pioraram esse sono. Se você ultrapassar os primeiros dez minutos o restante do filme corre até os últimos dez minutos de filme, que também dão sono, confesso. 
   Yuki é uma mulher sanguinária. Eu realmente amei os olhares dramáticos da atriz Meiko Kaji. 
   A estória do filme é excelente, por mais que o ritmo do desenvolvimento do filme não tenha me agradado eu gostei muito da estória. Além da boa jornada, o final do filme também foi maravilhoso, para mim foi o ápice da perfeição, valeu pelo filme inteiro!
   Eu não gosto dos filmes antigos por causa da falta de tecnologia. Lady Snowblood é um filme bem a frente de sua época, mas em recursos fica para trás. Eu falo sobre o sangue artificial e sobre a filmagem mal-feita. O sangue é uma verdadeira desgraça e a filmagem do filme muitas vezes desliza no pé, mas se for para levar a época em consideração não parece ser de tanta importância. No final do filme o escuro disfarça muito bem a mediocridade da produção e consegue ser perfeito. 
   O plano de zoom do filme é uma das únicas coisas em que a filmagem não vacilou. Eu amei esses planos na expressão vingativa da Yuki. A expressão de Yuki é a personificação da vingança em uma pessoa, assustadoramente profunda. 
   A trilha sonora obviamente não poderia ser deixada para trás. A trilha é tão boa que foi até reutilizada em Kill Bill. A música final cantada pela própria Meiko Kaji é exemplo disso.
   A questão sentimental é grande sobre esse filme, Lady Snowblood não é um filme para chorar baldes, mas é um filme que coloca sobre a trama um sentido belamente poético.
   Eu só fiz um pequeno resuminho do que eu achei de Lady Snowblood para começarmos a falar e comparar com seu sucessor ou se posso dizer spin-off.


Nota de 1,0 a 5,0 para Lady Snowblood:

Kill Bill Vol. 1 (2003)
   Kill Bill é um filme que tem a mesma temática de Lady Snowblood, mas que diferencia na estória. Dessa vez a diva vingativa é uma noiva assassina. Mamba Negra, como era chamada na organização assassina da qual fazia parte está prestes a se casar, mas seu casamento é impedido por sua antiga gangue liderada por um homem oculto chamado Bill. A trupe assassina invade o casamento de Mamba Negra matando o noivo e todos os convidados. A Noiva também destinada a morrer felizmente ou não para os assassinos, sobrevive ao massacre acordando quatro anos após o coma para buscar vingança.
   A primeira e notável diferença que eu pude notar entre Lady Snowblood e Kill Bill, além da estória foi a personalidade das protagonistas. Enquanto o olhar de Yuki inspirava vingança, A Noiva já era uma personagem mais tranquila. Eu achei um pouco estranho, Yuki se vingou tão amargamente por atos cometidos contra pessoas que ela nem conhecia. A Noiva teve atos cometidos conta ela mesma e da mesma maneira ela não pareceu inspirar toda essa vingança.
   Kill Bill do Tarantino é o conto moderno da vingança. Kill Bill é um filme ainda mais eletrizante do que Lady Snowblood, ele me prendeu desde o início e em nenhum momento me deixou entendiada muito menos com sono. Os diálogos são mais rápidos e as lutas também são muito mais racionarias do que na inspiração.
   Tarantino também com esse meio sanguinário envolve alguns quadros inocentemente tarantinescos de animação. Nos quadros é possível ver que a nossa Lady Snowblood não é realmente A Noiva, mas sim O-Ren Ishii, personagem da maravilhosa Lucy Liu. As cenas de animação são marcantes, cenas que nos fazem pensar em uma animação só do Tarantino, pois são cenas maravilhosas! E por essas cenas faço um pedido que ele não vai ler, mas espero que transmita isso por telepatia: Tarantino, por favor, vá logo embarcar na indústria da animação!
   A trilha sonora de Kill Bill é bem variada e interessante. As músicas são no máximo muito animadas e algumas dessas músicas até remetem ao estilo atual do Tarantino com Django, o western. A música do final do filme, The Flower Of Carnage da nossa querida e sanguinária Yuki, como eu disse anteriormente foi reaproveitada de Lady Snowblood em Kill Bill dando origem a uma cena final também maravilhosa.
   A ordem cronológica ou anti-ordem também me agradou muito nesse filme. Eu me incomodei muito com a ordem cronológica de Cães de Aluguel, mas acabei gostando em Bastardos Inglórios e gostei também em Kill Bill, não foi uma ordem confusa e ainda pareceu que manteve aquele aspecto original.
   Tarantino em sua direção não manteve o plano de zoom. A Noiva é uma ótima personagem, mas como eu já disse ela não tem a expressão vingativa de Yuki e como faltou essa expressão, parece que o Tarantino não tinha muito o que focar, então ele fez apenas focos sutis no rosto da diva Uma Thurman. Focos muito bonitos, eu diria. Mas mesmo assim ainda prefiro um técnica de foco mais exagerada. 
   Kill Bill para mim foi um filme excelente, mas claro que como eu sou metódica e gosto de colocar defeito em tudo tenho que apontar duas cenas que não gostei. O sangue de Kill Bill é ainda mais realista do que Lady Snowblood, mas não significa que em algumas partes o sangue não tenha ficado com um aspecto falsário. Tarantino exagera muito em algumas cenas de violência, coisa que faz o filme tomar uma proporção forçada em algumas partes. Eu até citaria essas cenas, mas seria spoiler, então é melhor deixar que cada um tire suas próprias conclusões.
   Apesar do único defeito que encontrei o filme não perde de maneira alguma a qualidade de ser o filme. Kill Bill é um filme tão charmoso, divertido, massa e todos os adjetivos de cool possíveis. A classe desse filme é incomparável. As lutas finais contra Go Go, Os 88 Malucos e O-Ren foram incríveis, eletrizantes, maravilhosas! 
   A cena final foi bastante semelhança a Lady Snowblood, o molde da cena da neve foi perfeito e não dando um spoiler, mas dando um spoiler, couros cabeludos sendo cortados nos filmes do Tarantino são incrivelmente legais, eu chamaria de very cool entrando no meu modo hipster.
   Kill Bill é um prato cheio para aqueles que gostam de vingança, sangue, matança e ao mesmo tempo com uma dose boa de diversão dramática.

Nota de 1,0 a 5,0 para Kill Bill Vol. 1:

Kill Bill Vol. 2 (2004)
   A continuação do filme Kill Bill começa com uma cena da personagem de Uma falando para nós olhando para a câmera. Quando um personagem informa sua missão exclusivamente para os telespectadores é muito legal, pois é possível sentir uma aproximação com a jornada vingativa da personagem. Eu senti uma proximidade maior com esse segundo filme, nele finalmente podemos conhecer a protagonista e seu nome. Bill também é revelado no segundo filme e sem nenhum mistério podemos nos encarar brevemente com o falecido ator e tão assustador David Carradine.
   Kill Bill Vol. 2 começa bem antes do primeiro filme já no momento anterior ao massacre do ensaio de casamento ocorrido em uma capela no Texas.
   O segundo filme da talvez trilogia assume uma proporção um pouco mais western do que oriental, diferente do que foi no primeiro filme.
   Eu gostei muito do que se rendeu esse segundo filme, pois ele mostra A Noiva bem antes de toda a coisa do casamento. Esse filme tem um roteiro maravilhoso, ele mostra tudo o que a maioria dos roteiristas não se importam em mostrar, como o treinamento da personagem principal, a jornada dela.
   Ao invés de prolongar essa crítica vou confessar que minha opinião não mudou muito do primeiro para o segundo filme. A coisa que eu não gostei no primeiro filme, no caso o exagero, foi corrigido nesse segundo filme, mas ao mesmo tempo foi substituído por outro defeito que consegui encontrar. Kill Bill Vol. 2 não é tão eletrizante como o primeiro filme. Esse eu confesso que me deu um pouco de sono. Algumas cenas foram longas demais e desnecessárias demais, principalmente algumas cenas do momento mais crucial do filme, o final. Vale também dizer que o segundo filme não é tão charmoso como o primeiro, mas que também tem um pouquinho de charme nas lutas nostálgicas, lutas que dão vontade de assistir ao primeiro filme de novo.
   Gostei do encontro de Bill com A Noiva, achei bastante coerente. Enrolou um pouco sim, mas foi básico.
   Kill Bill Vol. 2 me agradou tanto quanto o primeiro ou até um pouco menos que o primeiro, mas é um filme que também vale a pena. Se para entender o primeiro é necessário o segundo, o segundo é um complementar.


Nota de 1,0 a 5,0 para Kill Bill Vol. 2:

3 comentários:

  1. Eu tbm gostei de Lady Snowblood, coincidentemente acabei dando a mesma nota que vc. E tinha me esquecido de como Kill Bill era tão FODA! Tenho que assistir o Vol. 2 assim que me sobrar um tempo. Gostei do seu blog, encontrei o link no Filmow. Depois da uma passada lá no meu, acabei de publicar sobre o Tarantino tbm. :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que essa é a nota que o filme merece, que bom que concorda comigo mesmo que acidentalmente. Kill Bill é demais, não é o melhor do Tarantino, mas é um dos melhores. Kill Bill Vol. 2 é bom, mas como eu disse na postagem, é bom como complementar, porque se for comparar com o primeiro, o primeiro vence. O seu blog é o Quartier's Blog, não é? Eu vou dar uma olhada. Já estou te seguindo.

      Excluir
    2. Leandra, só para te avisar que o link que vc postou no Filmow está quebrado.

      E ainda não tive tempo de assistir Kill Bill Vol. 2. :(

      Eu vi seu comentário no meu blog, até respondi. Obrigado. Estou assinando seu blog no Google Reader. :)

      Excluir

(: